Trajetória

Tudo começou em 05 de dezembro de 1920 na cidade de São Estevão na Bahia, quando a baiana Marcelina Maria de Jesus dava a luz a um menino, um menino que talvez nem ela imaginasse que no futuro iria se tomar um grande homem: em peso, simpatia e popularidade.

A escolha do nome naquela data fora feita: nascia José Geraldo de Jesus, coincidência ou não do nome, José Geraldo de Jesus fora um homem iluminado no decorrer de toda sua vida.

Por volta de 1936 saiu de sua terra natal e veio para o Rio tentar ganhar a vida e ajudar a sua mãezinha, que era filha de escravos e trabalhava na casa dos brancos.

Alistou-se na Marinha, ainda em São Estevão, com o sonho de chegar a cidade maravilhosa. Aqui chegando trouxe em seu baú uma muda de roupa, e um único pé da sandália. alparcatas. Quando usava a sandália em um dos seus pés no outro fazia curativo para justificar o motivo de calçar um só pé.

Na marinha surgiu a idéia de lutar box, a fim de melhorar seu salário, e lá recebeu o apelido carinhoso dos amigos de Kid Candonga. Mais tarde viera se tomar campeão brasileiro de box, peso pesado, pelo Fluminense. De marinheiro, Candonga, tomou-se segurança de boates como Vogue, Casa Blanca, Night and Day, Canecão , etc, e, no período da ditadura, trabalhou como segurança de pessoas famosas como Darcy Ribeiro, Brizola, Oscar Niemayer e Luiz Carlos Prestes.

E ainda foi considerado um dos homens de confiança do presidente Vargas que na intimidade o chamava de baianinho. Em pouco tempo este baiano de 1,84m que chegara a pesar 180 quilos foi capaz de fazer amigos famosos como Jaguar, Albino Pinheiro e Paulo Stein.

Candonga ajudara na organização dos desfiles das escolas de samba, desde quando eram realizados na Av. Rio Branco, Presidente Vargas e por último na Marquês de Sapucaí.

Trabalhou na Secretaria de Turismo como prestador de serviço e mais tarde trabalhou na Riotur, onde permaneceu por 15 anos, teve o seu trabalho interrompido pela sua morte.

Quando veio para ao Rio morou em um único quarto na rua Alaíde no bairro de Madureira, lá se apaixonou pelo samba, pelas baterias das escolas de samba, em especial pela Portela, sua escola do coração.

Com sua ousadia e criatividade o Mestre Candonga tomara-se guardião da chave oficial da cidade, que ele mesmo mandara confeccionar.

Com mais de 40 anos de carnaval Candonga foi responsável pela fiscalização e organização das baterias das escolas de samba durante os desfiles. Sempre pronto a dar uma toalhada em quem viesse atrapalhar o desfile, o fiscal da Sapucaí fez amigos entre o pessoal da imprensa.

Tão querido fora o mestre entre amigos, que um dia numa mesa de bar, Sérgio Cabral entre um copo de cerveja e outro denominou Candonga o Santo do Carnaval e criou a oração do Candonga:

"Rotundo, obeso e redondo cheio de banha e bondade.
Você gordo é o estrondo da nossa santa amizade.
Candonguinha quando nasceu houve festa celestial
Deus a nós concedeu
o Santo do Carnaval."

o Mestre foi tão respeitado, que era a única pessoa autorizada a circular na Sapucaí sem credencial, a levar engradados de cerveja, refrigerante e água mineral para a passarela do samba, servidos em copo de vidro e, ainda, era a único a estacionar seu carro, no "recuo da bateria".

Mas infelizmente o destino se encarregou de nos tirar esta alegria contagiante, esses pesos bem pesados de simpatia, generosidade e humildade. No dia 26/03/97 nosso guardião num antar na casa da amiga e cantora Alcione passa mal é' é levado até o hospital Rio Mar, na Barra da Tijuca e não resiste a doença que a vinha consumindo este guerreiro.

Em 27/03/97, José Geraldo de Jesus, aos 77 anos falece de Câncer no estômago. A tristeza domina o coração dos parentes, amigos, do povo carioca em geral.

Em sua última homenagem o corpo segue em cortejo pela passarela do samba, antes de partir para sua terra natal, cidade de São Estevão na Bahia, como era de seu desejo.

Candonga foi casado sete vezes, seu último casamento foi com a maratonista Maria Aparecida Alves de Jesus, que esteve presente na sua vida nos últimos 30 anos.

o Mestre deixa saudades a esposa Maria Aparecida Alves de Jesus, aos filhos Mauricio George S. de Jesus e Maria Cristina S. de Jesus, e as netas Amanda Georgia Barbosa de Jesus e Aline Georgia 3arbosa de Jesus, que desejam continuar com a tradição de guardar chave da cidade.

Com certeza, o Mestre já faz parte da história do carnaval carioca e vai deixar muitas saudades...

Fique em paz Candonga, sua missão aqui terminou e servirá de exemplo, com certeza, a sua esposa, filhos, netos e amigos. Você presenteou um homem de luta e grandes realizações.

Saúde e paz. Viva a liberdade!